segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Gripes, amores e resfriados

Certos amores são como resfriados ocasionais, daqueles que surgem inevitavelmente de uma troca brusca de estações. Te enfraquecem rapidamente, te deixam mal por dois ou três dias, mas quando passam é como se nunca tivessem existido afinal. Estamos novos e saudáveis em um tolerável período de tempo. Outros amores são como resfriados insistentes, daqueles que vêm e passam, voltam e vão embora em uma sequência que parece não ter fim. Te derrubam num dia e no próximo te fazem acreditar que já está totalmente recuperado, apenas pra na manhã seguinte fazer você sentir sua cabeça pesando e seu peito inchado em mais uma repetição. Assim segue até ele, depois inúmeras idas e vindas, finalmente te deixar em paz, pronto pra estar novo e saudável novamente. Mas existem os amores que são como gripes severas. Daquelas que chegam silenciosas entre um espirro aleatório e outro e quando você menos percebe está à beira de uma possível pneumonia. Aquela inocente crise de tosse que persiste mais do que deveria e chega ao ponto de te derrubar tão por inteiro que nenhuma parte do seu corpo parece conseguir lutar contra algo tão forte. Você nega a necessidade de ajuda e tratamentos mal seguidos, e interrompidos por tentativas alcóolicas, não apresentam nenhum resultado meramente eficaz. Te consome um pouco mais a cada dia e aquilo parece estar a caminho de se tornar algo grave. Até que você percebe que apenas precisava de uma dose mais forte de tarja preta pra voltar à vida. Mais novo e mais saudável outra vez. 

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