Certos amores são como resfriados ocasionais, daqueles que surgem inevitavelmente de uma troca brusca de estações. Te enfraquecem rapidamente, te deixam mal por dois ou três dias, mas quando passam é como se nunca tivessem existido afinal. Estamos novos e saudáveis em um tolerável período de tempo. Outros amores são como resfriados insistentes, daqueles que vêm e passam, voltam e vão embora em uma sequência que parece não ter fim. Te derrubam num dia e no próximo te fazem acreditar que já está totalmente recuperado, apenas pra na manhã seguinte fazer você sentir sua cabeça pesando e seu peito inchado em mais uma repetição. Assim segue até ele, depois inúmeras idas e vindas, finalmente te deixar em paz, pronto pra estar novo e saudável novamente. Mas existem os amores que são como gripes severas. Daquelas que chegam silenciosas entre um espirro aleatório e outro e quando você menos percebe está à beira de uma possível pneumonia. Aquela inocente crise de tosse que persiste mais do que deveria e chega ao ponto de te derrubar tão por inteiro que nenhuma parte do seu corpo parece conseguir lutar contra algo tão forte. Você nega a necessidade de ajuda e tratamentos mal seguidos, e interrompidos por tentativas alcóolicas, não apresentam nenhum resultado meramente eficaz. Te consome um pouco mais a cada dia e aquilo parece estar a caminho de se tornar algo grave. Até que você percebe que apenas precisava de uma dose mais forte de tarja preta pra voltar à vida. Mais novo e mais saudável outra vez.